Sinopses e Análises


SINOPSES



O PODEROSO CHEFÃO 

Parte 1

Don Vito Corleone é um poderoso chefe de uma “família”, pois tem poder de decisão e é extremamente temido por todos. Mas mostra-se sempre pacífico, apesar de determinado e implacável. O filme tem início com Don Vito em seu escritório atendendo a um dono de funerária chamado Bonasera que veio até ele pedir justiça contra os criminosos que deformaram o rosto de sua filha que defendeu sua honra e naquele momento se encontrava sentindo dores horríveis com o rosto deformado. Depois de alguns ajustamentos argumentativos, Don Vito resolve atender o pedido de Bonasera, mas o avisa que, pode acontecer algum dia de precisar de um favor que não lhe será negado em nenhuma hipótese, mas que esse dia também poderá nunca chegar.  Porém fora do escritório,  estava acontecendo a festa de casamento da filha de Don Corleone e estavam todos reunidos e felizes. A família está toda reunida e comemorando muito, porém a presença discreta de Michael Corleone – terceiro filho de Don Vito, uma pessoa refinada, universitário educado, sensível e perceptivo que praticamente não é notado na festa, exceto pela sua namorada de faculdade Kay. A namorada de Kay pergunta sobre o trabalho do pai de Michael, e quando esse explica como as coisas acontecem, ela se espanta, mas acaba por se acalmar com a promessa que Michael lhe faz de nunca se envolver nos negócios da família. Muito são aqueles que, aproveitando a ocasião do casamento, procuram Don Vito para os mais diversos pedidos de ajuda. Seus protegidos são tratados como afilhados, portanto devem se dirigir ao Don como padrinho em sinal de respeito, beijando-lhe o rosto ou a mão. Os problemas graves começam a surgir quando um gângster pede reunião com Don Vito para tentar estabelecer uma sociedade, pedindo a proteção para a venda de drogas em Nova York. A idéia é refutada por Don Vito, que prefere continuar seus negócios com jogos, mulheres e proteção, mas jamais com drogas. Esse é o início de uma luta voraz que inclusive faz com que seja tramado o assassinato de Don Vito Corleone. Apesar de alvejado cinco vezes, Don Vito não morre e aí começa realmente a disputa pelo poder que Don Vito Corleone conquistou sem guerras ou disputa por espaço.

Parte 2

É o maior dentre todos da trilogia. É nessa parte que se conta a história de Vito, da cidade de Corleone, quando o filme mostra que a máfia siciliana matou toda sua família. Mesmo muito novo, Vito consegue fugir para a América. Já adulto, luta para ganhar a vida e manter sua esposa e filhos. Seu poder tem início quando ele mata o “Mão Negra”, marginal que exigia dos comerciantes uma parte dos ganhos. Através do boca a boca, o poder de Vito que, quando chegou à América, recebeu como sobrenome o nome de sua cidade, assim nasceu Vito Corleone. Simultaneamente também conta-se a história de Michael Corleone, filho mais novo de Vito que agora controla os negócios da família. A intenção de Michael Corleone, que segue os passos no pai na ponderação e percepção para a conduta dos negócios, o que lhe garante o mesmo poder e respeito que seu pai sempre obteve, Michael planeja fazer incursões em Las Vegas e Havana, instalando negócios ligados ao lazer mas acaba percebendo que alguns de seus aliados estão, na verdade, tentando matá-lo por temer o poder que ele possui e sua inteligência nos negócios. Com isso Michael acaba se tornando paranóico e que sua ambição acabou com seu casamento e muitos outros feitos dos quais ele se arrependerá mais tarde. Acusado por vários crimes pela Justiça Federal dos Estados Unidos, Michael consegue absolvição e agora se concentra com bastante objetividade para saber como lidar com seus inimigos. Persistente em seus objetivos, Michael quer limpar o nome da família e tornar todos os seus negócios lícitos, para isso passa alguns negócios para outras pessoas e só conversa seu poder e negócios lícitos. Trama a morte dos cinco chefes das famílias rivais, o que acontece com êxito absoluto e assim Don Michael Corleone perpetua o poder que seu pai lhe deixou, tornando-se ainda mais rico e poderoso.

Parte 3

Já mais velho e doente, Don Michael Corleone recebe um dos maiores títulos dados pela Igreja – A Ordem de San Sebastian, por ter feito uma doação de 100 milhões de dólares para a igreja. Atormentado pelos erros passados, Michael faz atos de redenção para tornar aceitável o nome da família Corleone. Na comemoração desse título recebido, Michael recebe Vincenzo Mancini, filho de seu irmão só que fora do casamento. A pedido de Connie, Vincenzo é apresentado a Don Michael manifestando vontade de trabalhar com o tio, pois não está dando certo trabalhar num dos antigos negócios da família, sob o contanto de Joey Zasa que por trás, despresa e fala mal de Don Corleone, o que deixa Vincenzo irritado e violento – temperamento herdado de seu pai. Michael enxerga que pode ensinar Vincenzo muitas coisas e permite que este trabalhe com ele, mas controlando seu temperamento hostil e violento e prestando muita atenção a tudo que Don Michael Corleone faz. Um arcebispo da igreja procura Don Corleone para pedir-lhe muitos milhões de dólares para cobrir o déficit descoberto nas contas da Igreja, mas para isso Don Michael receberia o controle majoritário da Immobiliare, antiga e respeitável empresa européia de propriedade da Igreja. Michael concorda, mas tem muitos problemas tanto do lado da Igreja, pois o clero não concorda que Michael controle uma empresa tão poderosa, tendo um passado tão duvidoso; e por outro lado desperta a inveja daqueles que continuam com negócios escusos, pois estes cobram de Michael também a limpeza de seus nomes e participação nos lucros dos negócios. Isso gera uma outra guerra onde Michael Corleone, dentro muitas coisas, passa o poder para Vincenzo que agora também tem o nome da família, tornando-se Don Vincenzo Corleone mas as tramas de traição veladas, os assassinatos brutais e o final inesperado é o que mais atrai nessa obra que fecha a trilogia “O Poderoso Chefão”.

APOCALYPSE NOW

Um oficial da inteligência do exército americano, capitão Willard é enviado para uma perigosa missão até o Camboja para matar um coronel americano desertor chamado Kurtz, que está fora de controle e é tido como louco. Este último contra uma tribo de montanheses numa selva remota repleta de crânios e corpos em decomposição. Durante a jornada pelo rio, capitão Willard conhece o coronel Kilgore que lidera esquadrão de helicópteros e comanda um campeonato de surfe mesmo com os inimigos atirando sem parar.
Willard segue seu destino num barco-patrulha da Marinha com quatro tripulantes: o chefe do barco, um ex-taxista que usa drogas o tempo todo; um cozinheiro que entrou para a marinha achando que a comida era melhor que no exército; Clean, um adolescente negro de 14 anos e Lance, um surfista da Califórnia convocado para a guerra. Conforme o barco segue em direção ao Camboja, tudo parece estar sob o domínio da ilusão, da loucura, das sombras obscuras do coração humano e principalmente pela contradição que Willard não consegue entender: matar um condecoradíssimo herói de guerra, coronel americano (esse drama interno o atormenta durante todo o filme). Ao ser convocado, o capitão Willard ainda teve que ouvir de seu superior: “Capitão, entenda que esta missão não existe, nem existirá nunca”, mas ele segue adiante e encontra o desertor. Segundo o próprio Francis Ford Coppola, numa entrevista na França: “Meu filme não é sobre o Vietnã. Meu filme é o Vietnã.”

A CONVERSAÇÃO

Escrito e dirigido por Coppola, A Conversação é uma obra praticamente impecável, construída com cuidado milimétrico por um cineasta em pleno domínio narrativo. Não há um exagero por parte do diretor, tudo está no lugar devido. O enredo só se desenrola e torna-se crível graças à forma como Coppola apresenta Harry Caul – um solitário especialista em gravações. Com interpretação perfeita de Gene Hackman que consegue demonstrar toda insatisfação do personagem com a própria vida, e seu medo de relevar sua intimidade para quem quer que seja. Tudo isso se deve a um segredo que ele não revela a ninguém por sentir-se responsável pela morte de três pessoas após a realização de um trabalho que lhe fora encomendado anos antes. Quando é contratado para um trabalho similar, fica atormentado sem saber se o desfecho será o mesmo, com mortes acontecendo devido a um trabalho seu. Harry realiza o trabalho.
Os longos silêncios, a trilha sonora deprimente, roteiro preciso e atuações sem precedentes, fazem de “A Conversação” uma obra inteligente, realista e intensa.

DO FUNDO DO CORAÇÃO

Aqui Francis Ford Coppola pensa em executar um filme musical romântico. Em Las Vegas, no dia 4 de julho, o casal Hank e Franny fazem cinco anos que vivem juntos. Apesar de terem planejado festejar, acabam por discutir e parece que já não são mais tão complementares. As desilusões e a rotina instalaram-se e a relação em crise dá lugar a uma separação inesperada. Assim, simultaneamente ambos conhecem o par que seria o ideal de cada um. Hank conhece uma lindíssima artista de circo – Lelila; e Franny conhece Ray – um charmoso cantor/ator/garçon. Ambos se entregam a essas paixões meteóricas e quando Hank tenta reconquistar Franny, esta está a caminho de Bora Bora, destino que ela pensou para Hank e ela em comemoração aos cinco anos de convivência juntos. O filme trata das complexidades do coração humano, seus sentimentos. E fica a pergunta: será que o amor vence uma breve paixão? O final é surpreendente!.




ANÁLISE CRÍTICA DAS OBRAS




Magistralmente Francis Ford Coppola ainda hoje é considerado o maior dentre todos os diretores (principalmente pela sua reconhecida obra O Poderoso Chefão). Serão analisadas  não só a trilogia, segmentada em Parte 1, Parte 2 e Parte 3; assim como Apocalypse Now, A Conversação e Do Fundo do Coração.

TRILOGIA: “O PODEROSO CHEFÃO”

Parte 1

A música tornou-se um ícone à parte. Seu tom já emana o respeito com que a obra deve ser vista. Nessa primeira parte, o diretor opta por uma narrativa linear, contando a história de forma cronológica, onde o desenrolar dos acontecimentos se dão de acordo o tempo vai se passando mesmo. A intensidade com que a música – já citada acima, pontua a obra, reforçando o poder da imagem que mostra as feições dos personagens, não permitindo a quem assiste, dúvidas do que está sendo interpretado por cada ator. Essa intimidade com a obra faz o espectador participar da cena, viver a história, se prender a ela. Coppola acertou ao trabalhar dessa forma pois para a primeira obra em si, tornou-se um clássico e para o conjunto da obra (a trilogia) fez com que o entendimento do público se tornasse o sucesso mundialmente reconhecido que é até hoje, visto que é um filme de 1972.
Para falar dos enquadramentos e movimentos de câmera, ressaltar-se-a a cena em que, hospitalizado por ter sido vítima de uma emboscada e alvejado cinco vezes por um gângster rival na intenção de eliminar o mais poderoso deles. Don Vito Corleone não morreu e a cena contemplada para uma análise mais detalhada sobre as sensações que seus ângulos e movimentos de câmera provocam é quando Michael (filho mais novo de Vito), vai até o hospital e se espanta quando percebe o hospital deserto e silencioso. À medida que Michael analisa o interior do hospital, a câmera o acompanha de forma a se transformar na própria visão de Michael Corleone, principalmente quando ele abre a sala da enfermagem e percebe que o lanche foi inesperadamente deixado pela metade, assim como quando o close se dá na pequena mesa com duas cadeiras que estão estrategicamente colocar à porta do quarto de Don Vito, também no mais completo abandono. Isso vai crescendo o suspense e prendendo o espectador de forma magistral. A enfermeira ao perceber movimento no quarto do paciente, chama a atenção de Michael que já está ao telefone chamando por reforços. Quando esta se vira para sair, Michael pede que fique e obtém a informação de que a polícia esteve no hospital, retirando todo o pessoal sob alegação de que todo aquele movimento (de segurança a Don Vito) estava perturbando o ambiente. Nesse momento, Michael convence a enfermeira a mudar o pai dele de quarto e, sussurrando ao ouvido do pai, diz que está ali para cuidar e protegê-lo. O que emociona Don Vito, num close espetacular onde se percebe o esforço de um sorriso e uma lágrima rolando.
A sutileza das fusões utilizadas para mudar de uma sequência para outra são percebidas na maior parte da obra. O corte só foi utilizado nas cenas mais rápidas (e quase todas de violência) tudo isso feito de forma planejada pois a competência da direção nesse caso é indiscutível.
Elipses são percebidas durante todo o desenrolar do filme, porém é interessante ressaltar uma que é quando Michael – filho mais novo, educado e refinado, criado por Don Vito para permanecer longe dos trabalhos da família, resolve por si só se envolver e assim entrar, sem saber, definitivamente para os negócios da família. Com Dom Vito vivo e agora fora de perigo, os seus algozes exigem negociar uma trégua porém, ainda dizem que só negociam com Michael. Este, por sua vez, exige que seja em lugar público e neutro. Os inimigos aceitam, desde que o lugar seja o que eles desejarem. Por ser mais ponderado e extremamente inteligente, Michael, sem perceber, estava já “dando as cartas” até a plena recuperação de seu pai, que continuava como o chefe maior. Fez-se descobrir o local do encontro e planejou o assassinato dos dois inimigos que marcaram o encontro, sendo que, concentrado, viu-se praticamente ridicularizado por todos os presentes que não acreditavam que justamente aquele filho criado mais afastado dos negócios, fosse capaz de cometer duplo assassinato. Tudo pronto, Michael foi desarmado e os inimigos tomaram um rumo oposto ao que os Corleone haviam descoberto para o diálogo. Sem esboçar desespero, Michael apenas perguntou se seria aquele mesmo o itinerário. Isso criou um suspense de que todo o plano estava fadado ao fracasso, mas não, bruscamente o carro que os conduzia virou-se e tomou o rumo já descoberto. Tudo deu certo. Michael precisou viver longe de todos por muito tempo pois isso fez explodir uma verdadeira guerra e ele precisava ser polpado.
A forma com que cada “família” (assim eram chamadas as quadrilhas de gangsters) conduzia seus negócios possui um aspecto ideológico muito forte. O simbolismo de Don Vito de proteger seus familiares principalmente e também seus protegidos, uma forma de apadrinhamento, por isso, todos deveriam referir-se a ele como padrinho e beijar-lhe a face ou a mão. Beijar a mão de um Don era sinal de lealdade, fidelidade e obediência absolutas. O Poderoso Chefão – O Padrinho, Parte 1, traz junto ao seu título, um desenho bastante representativo. Uma cruz (símbolo do cristianismo) sendo segurada por uma mão dando a impressão de que a Igreja era fantoche nas mãos deles pois da cruz saem linhas que lembram os fios que seguram os bonecos utilizados em teatro de fantoches.

Parte 2

A maior e talvez a mais bem conceituada parte da trilogia se vale da maestria incomparável de seu diretor Francis Ford Coppola, que se utiliza de narrativa linear no princípio dessa segunda parte pois em comparação à primeira, a narrativa é invertida já que só na segunda parte o espectador saberá a origem de Vito Corleone – que na primeira parte já é mais velho, próspero e muitíssimo poderoso. A narrativa alternada se faz necessária para dar a ilusão que o cinema transmite de que o público está dentro da história, fazendo parte por entender tudo o que se passa – o que é bastante complexo. O paralelismo narrativo acontece todo o tempo pois, como Don Vito passou o poder ao seu filho mais novo – Michael, por falta de outra pessoa mais adequada, já que não era o que Don Vito sonhava para esse filho em especial, Michael tinha seu jeito próprio de dirigir sua família, mesmo seguindo alguns conselhos do pai que, a propósito, quando transformou-o em Don Michael Corleone, não restringiu em nada seus poderes. Com isso Coppola não só consolidou a genialidade de sua direção como contou toda a história passada de Vito Corleone, sem se perder no contexto que descreveu toda a trajetória vitoriosa de Michael.
A coesão dos enquadramentos e movimentos de câmera foram os mesmos utilizados com sucesso absoluto na primeira parte. Um retorno que pode-se utilizar como exemplo é o que já adulto e casado, Vito Corleone é humilhado ao ser demitido para ceder lugar ao sobrinho de um marginal que extorquia os comerciantes do lugar. Sem se abalar demais, Vito consegue seu próprio negócio com a ajuda de dois sócios. Ao ser abordado pelo “Mão Negra” – o marginal que extorquia os comerciantes, Vito age de forma ponderada e humilde, porém mata o infeliz e assim começa sua fama, seu respeito e seu poderio. Essa sequência foi inusitada e surpreendente pois, além da perfeita fotografia, por tratar-se de um homem simples, trabalhador e humilde, não era esperado que se tornasse um assassino bem articulado, pois cada detalhe foi pensado e executado com discrição absoluta.
As passagens de tempo se utilizaram muito das fusões. A música continuou a mesma e dava o tom necessário para a compreensão do espectador. Pois como estava dando continuidade a uma história que já havia sido começada na primeira parte, quando a cena voltava para a juventude de Vito Corleone, fundiam-se as cenas com a música tocando.
Essa Parte 2 é a maior da trilogia, portanto as elipses foram usadas em abundância. Exemplos que podem ser citados: Michael aceita ser padrinho de batismo do filho de sua irmã como hálibi perfeito pois mandou executar os chefes das cinco famílias rivais; outra que merece ser citada é quando Kay percebe a cortina aberta e avisando Michael, este instintivamente a salva, assim com aos dois filhos de um massacre pois todos seriam mortos metralhados. Muitas outras elipses podem ser percebidas discretamente pois em momento algum têm-se vontade de se parar para descansar de um filme com duração de quase três horas.
Os aspectos ideológicos e simbólicos são também coerentes com a Parte 1, principalmente em relação à família – a de sangue mesmo. Para os Corleone, italianos de modo geral, independente das diferenças pessoais, a família é algo sagrado. E isso contribuiu muito para que Michael, no intuito de defender sua família, se tornasse paranóico e ambicioso a ponto de separar-se da mulher, ficando com os filhos. A sua ascensão vertiginosa e sua fixação em limpar o nome da família, fez com que se tornasse solitário – paradoxal ao que seu pai deixou como legado. Vito Corleone morre nessa parte, brincando com o filho de Michael, no quintal de casa.

Parte 3

Tudo o que foi descrito anteriormente serve para uma análise crítica da linguagem cinematográfica do filme que encerra a trilogia. Porém é importante ressaltar que esse filme, datado de 1990, faz uma narrativa linear e também utiliza narrativa paralela para as lembranças de Michael que além de velho, doente e divorciado, vive atormentado pelos erros passados.
A intenção do diretor em iniciar essa obra numa narrativa linear é incorporar um membro da família que não é legítimo, é filho do irmão de Michael porém foram do casamento, no caso chamado de bastardo. Trata-se de Vincenzo Mancini, não possui Corleone como sobrenome. Este herdou do pai o temperamento explosivo, a agressividade e a sedução pelas mulheres. Assim Coppola faz de maneira bastante engenhosa, a proximidade e aceitação de Vincenzo à família. Apesar de todos os requisitos desfavoráveis, a objetividade, foco e estrategismo de Michael, mesmo que um pouco debilitado, decide manter Vincenzo bem perto de si para tentar ensinar-lhe o necessário.
Michael Corleone é aceito na Ordem de San Sebastian, um dos maiores títulos dados pela Igreja por doar 100 milhões de dólares à mesma. Isso causa uma situação de guerra velada pois outros querem limpar seus nomes e associar-se a Michael. A maestria de Coppola nunca pode ser esquecida pois só mesmo um gênio consegue fazer com que o espectador continue participando da história e isso só é possível através de sua impecável direção que, em coesão com as duas partes primeiras, conmsegue ainda surpreender com novos fatos e também ao fazer-se perceber a fragilidade a que se expõe o poderoso Don Michael Corleone, que além de velho, torna-se doente e ainda martirizado pelo passado onde se arrepende, principalmente de ter mandado assassinar o próprio irmão mais velho que o traiu. A linearidade narrativa deixou a obra romântica pois, a despeito do passado, ainda apaixonado pela ex-mulher, Michael tenta uma retomada de sua família.
As elipses tomam conta de toda a parte final da obra, que se passa num teatro na Sicília, onde o filho de Michael que é cantor fará sua apresentação. Vincenzo já ganhou tanto a confiança de Michael que esse passa a segurança sua e de sua família a ele, porém, para a preservação da família, exige que este se afaste de sua única filha – Mary, no que é amargamente atendido.
Com a morte de um grande amigo e conselheiro, Michael Corleone decide que já não agüenta mais comandar a família Corleone e passa o comando a Vincenzo, dando a este o sobrenome Corleone. Don Vincenzo Corleone senta-se e todos que passam o cumprimentam beijando a sua mão.
Vincenzo tem todo o cuidado com a segurança dos Corleone na apresentação que o filho de Michael faz na Sicília, porém muitas mortes acontecem durante o espetáculo, e a traição impera. O aspecto ideológico trabalhado pelo diretor continua sendo a família como primordial na vida de qualquer pessoa. E um momento que ilustra bem esse aspecto é quando, ao final do espetáculo, já fora do teatro e já ciente que muitos de seus homens de segurança foram mortos, Vincenzo percebe uma emboscada ao ouvir um rapaz imitando um burro. Ele tenta se organizar com os homens que tem para proteger Michael e sua família. Esse é um momento de suspense absoluto pois o assassino vestido de padre mira Michael mas acaba por acertar sua filha, que só consegue chamar pelo pai e cai morta. É o momento tenso onde Vincenzo mata o falso padre e fica desnorteado sem acreditar que Mary Corleone está morta. Nessa cena Coppola diminui o ritmo e expressa o desespero de Michael abraçado à filha morta gritando em completo desatino, mas para o espectador essa cena se passa no mais absoluto silêncio. Alguns segundos se passam até que o grito assustador de Michael se torna audível e uma imagem panorâmica deixa ver o que sobrou da emboscada.
A cena final é Michael sozinho, numa cadeira de rodas, colocando seus óculos (que se tornaram marca durante o filme). A cena é vista à distância, os movimentos de Michael são lentos, depois cai o livro que estava em suas mãos, o braço tomba para o lado e finalmente Michael Corleone cai morto. Como ele deixou o poder nas mãos de Vincenzo, simboliza-se a volta da violência e da vingança como predicativo de autoridade, respeito e poder.

APOCALYPSE NOW

O filme começa com uma confusa narrativa invertida onde um capitão do exército americano não consegue esquecer os horrores da guerra e, sozinho e nu no quarto de hotel, quebra o espelho com um soco, o que machuca sua mãe e sozinho com essas lembranças de guerra, simula uma briga rolando pela cama deixando tudo sujo de sangue e bebendo desesperadamente. Tudo isso com a finalidade de mostrar um pouco da real condição de um sobrevivente de guerra. Após esse início nebuloso, a narrativa se torna linear. A cena citada acima exemplifica também o enquadramento pois permite que seja focalizados percentes pessoais e uma foto da mulher amada (típico de homens que vão para a guerra). Nessa mesma cena, o close do rosto do capitão dá a impressão de que ele está de cabeça para baixo. Coppola, nessa obra, faz cortes e já passa para outra sequência, passando para quem assiste a aspereza da guerra. A crueza do conteúdo do filme, permitiu ao diretor elipses do tipo: dois homens dois homens do exército batendo à porta do capitão Willard com uma correspondência. Como se trata se cenas pesadas, o capitão pergunta por qual acusação estão o chamando e a surpresa vem ao saber que não se trata de acusação e sim de uma convocação. As falas em off do capitão foram um recurso bem utilizado para que se entenda o filme pois a convocação é para que ele vá até o Camboja encontrar e matar um desertor do exército que é tido como louco e surpreendentemente controlador de um séquito de fanáticos cambojanos. As dificuldades enfrentadas pelo diretor para concluir essa obra por si já se justificam os recursos de manter o então desertor aparecendo só em cenas mais escuras, num jogo de luz e sombra a cada aparição. O aspecto ideológico/simbólico se figura no lugar onde o desertor controla seus seguidores (que na verdade querem a morte dele mas não têm coragem para tal). O capitão vive uma luta interna por não concordar que um super condecorado coronel, herói em muitas batalhas, seja considerado um louco e não acredita que possa matá-lo ao conhecê-lo.
O capitão Willard perde toda sua tripulação, mas enfrenta e encontra o desertor, que com formas de torturas e filosofias bíblicas, tenta também fazer do capitão um seu seguidor, quiçá seu sucessor. Ao ser liberto, ele entra no seu barco-patrulha e toma certa distância. O suspense se dá quando ele volta através da água, mas nadando, e volta ao “santuário” do desertor e o mata com golpes de facão. Ninguém o impede. Ninguém o ameaça. Os cambojanos ficam de início paralisados ao verem o capitão Willard partir, depois retomam suas atividades habituais, isto é, mostrando que não tinham coragem de acabar com aquele poder que o desertor conseguiu exercer sobre eles mas se sentiam aliviados de que alguém o fizesse por eles.

A CONVERSAÇÃO

Coppola utilizou-se de uma narrativa linear pois o assunto abordado nessa obra é investigação, outra forma narrativa poderia confundir o espectador. Os enquadramentos e movimentos de câmera foram os mais abusados pois, como já citado, por tratar-se de uma investigação encomendada, o sigilo era de primordial importância. A câmera registra uma panorâmica de cima para baixo, mostrando toda a praça onde os “investigados” costumam se encontrar para, passeando pela feira que acontece ali, conversarem discretamente. Como ângulo de filmagem, podemos destacar o plongée, quando a câmera focou a praça toda, para só depois chegar aos personagens que eram os alvos. Vários closes foram feitos nos personagens, principalmente porque havia um atirador estrategicamente em local apropriado para acertar a cabeça de um dos personagens.
Poucas fusões foram utilizadas nas transições de uma sequência para outra. Mas o fade-out foi o que imperou.
Uma elipse que deve-se ressaltar dentre as outras utilizadas é a questão de que o especialista em gravações, contratado para o serviço, atormentado com um trabalho passado que resultou na morte de três pessoas, pensou em desistir ou mesmo alertar aos personagens-alvo tentando se livrar da culpa que o corroia. É nesse momento que ele acaba por cometer erros que jamais faria se estivesse equilibrado psico e emocionalmente.
O equilíbrio entre a trama e os personagens, o argumento do filme ainda traz surpresas e revelações que ajudam a linkar a história.
Quando ao aspecto ideológico, “A Conversação” que é de 1974, traz um tema pouco explorado na época, que é a invasão de privacidade.

DO FUNDO DO CORAÇÃO

Francis Ford Coppola nessa obra de 1982, utilizou narrativa linear pois a intenção era narrar um musical romântico, e só com linearidade a história seria entendida.
Com a genialidade comprovada, Coppola utilizou equipamento de vídeo experimental para filmar e montar o filme que contou com cenários magníficos e complexos movimentos de câmera, pois a obra além de alguns momentos musicais com dança e piano, inseriu também números circenses complicadíssimos de se fazer e a captação desses movimentos além de impecáveis, não deixou que se percebesse a complexidade do trabalho que fora executado ali.
Os recursos utilizados para transitar de uma sequência para outra ou mesmo para narrar paralelamente, a justaposição das cenas, permitindo ver os acontecimentos simultâneos na mesma tela, sem uma divisão física mas com a mesclagem das imagens.
O inesperado acontece no início (quando da separação do casal) que se mostraram almas gêmeas a princípio e no final. E essas elipses são as mais significativas. Mas durante o filme, algumas elipses aconteceram porém, até pelo conteúdo da obra, não houve tanta necessidade de se apoiar nesse recurso para conduzir a história.
Aspecto ideológico/simbólico percebido no filme é que pelo amor tudo vale a pena. Tudo é perdoado em nome do amor, do fundo do coração.